Bastidores – Artur Xexéo

Memórias

Quando passo na Rua Visconde de Pirajá, na região em frente à Praça General Osório, não consigo identificar onde ficava a sala. Mas eu me lembro muito bem que era ali que estava localizado o Teatro Santa Rosa.

Não dá para esquecer. Foi no Santa Rosa que assisti a Fala Baixo, Senão eu Grito. E a primeira vez que se vê Marília Pêra, a gente nunca esquece. Uma sala de teatro guarda para sempre as emoções, as gargalhadas, as lágrimas que marcaram sua trajetória.

O Santa Rosa deve ter virado uma loja qualquer. E o que aconteceu com todos os sentimentos que o habitaram um dia? As memórias de um palco e de uma plateia não se adaptam a lojas de eletrodomésticos ou a quitandas.

Onde foram parar as emoções criadas no Santa Rosa? O Rio é uma cidade de teatros fechados, demolidos, abandonados. É triste passar na Travessa Cristiano Lacorte, em Copacabana, e ver onde funcionava o simpático Teatro Miguel Lemos. Foi ali que me emocionei vendo Maria Bethânia em Comigo me Desavim. O impacto de se ver Bethânia ao vivo, pela primeira vez, também é inesquecível. Como recuperá-lo se o teatro não existe mais? Teatro Glória, Teatro Copacabana, Teatro Mesbla, Teatro da Praia… e o Villa Lobos cuja reforma não acaba nunca? Outro dia, tive que ir à TV E e tentei identificar, entre os estúdios da emissora, onde ficavam o palco e a plateia do Teatro República. Não consegui. E a alegria de ter visto Hair naquele espaço? Não se recupera mais?

Uma cidade que abandona seus teatros abandona sua Histó- ria. O Rio vem sistematicamente deixando seus teatros de lado. No momento em que a cidade celebra seus 450 anos, não custa nada tentar salvar o que ainda pode ser salvo.

20 de abril de 2016
admin