Palavra de Cenógrafo – Miguel Pinto Guimarães

Ação e Reação

Atravessei a quarta parede pelas mãos de Maneco Quinderé. Parceiro constante no dia a dia do meu escritório de arquitetura, responsável pela luz de dois terços de meus projetos, enxergou na minha paixão pelo teatro a centelha que faria da cenografia a minha profissão complementar.

Faço teatro exclusivamente por amor. Por amor a essa gente louca e linda e a esse ofício vosso. O teatro me trouxe Luciana Braga, Cris Lara, Charles Möeller, Leticia Colin, Victor Peralta, Rodrigo Pandolfo, Tina Salles, Felipe de Carolis, Claudio Botelho, Marcius Melhem, Lolô Perissé, Lucinho Mauro… O teatro me trouxe amigos, me trouxe amores. E me traz a experimentação, a liberdade e a fantasia que oxigenam a minha arquitetura.

Transformou em deliciosa carreira o mais prazeroso passatempo. Adicionou ao meu repertório de rodapés, vigas e pilares as bambolinas e rotundas. Viciado em trabalho que sou, o teatro virou o meu terceiro turno.

Uma maneira adorável de trocar o telejornal e a novela pelo terceiro sinal da estreia de um amigo. Ou por uma leitura de texto. Ou uma gravação de luz. Por algo que me reboque a uma sala de espetáculos e às sensações indescritíveis que ela emite. O cheiro do linóleo, o silêncio de uma coxia, o abraço aconchegante do veludo de suas poltronas. E o que dizer da energia transmitida pela madeira de um palco nu a um pé descalço? Emoções exclusivas às arenas sagradas da imaginação… Curtain up! Light the lights… There’s the bell! Follow me…

20 de abril de 2016
admin