Palavra de Dramaturga – Daniela Pereira

Por que eu faço teatro

“Eu faço teatro porque, muito jovem, tive experiências
como espectadora que me abriram
o mundo. A força da troca entre o que está em
cena e invade a plateia – entrando pela mente,
pelo sistema nervoso, pela corrente sanguínea – é
uma transformação.
Eu faço teatro porque acho possível mudar o
mundo tocando as pessoas – cada uma delas,
sentada ali, de olhos voltados para aquele pequeno
recorte espacial que, na verdade, é uma ruptura
do tempo, uma passagem interdimensional.
Eu faço teatro porque Tchekhov escreveu, em
A Gaivota, que “o importante não é a glória, nem
o brilho ou a realização dos sonhos. E sim saber
sofrer, saber carregar a cruz e ter fé. Eu tenho fé,
e não sinto tanta dor. E quando penso em minha
profissão, já não tenho medo da vida.”
Eu faço teatro para dar sentido à vida e para
aproveitar a morte – de cada minuto, cada dia.
Pelas minhas próprias tempestades e pelos ímpetos
que se espalham pelas ruas.
Eu faço teatro porque há muito que fazer quando
se faz teatro – mesmo sendo inútil pragmaticamente,
em meios às engrenagens e às urgências
das sociedades. Não é pela serventia – apenas
pelas possibilidades imaginárias.

20 de abril de 2016
admin